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Uma jornada de superação no mês de prevenção ao suicídio


Tranformando a dor em poesia...


Falar sobre minha tentativa de suicídio é doloroso, mesmo após uma década. Na época, não existia tanta informação como hoje. E me sentia julgada, sozinha e acima de tudo incompreendida. Hoje, mais madura e ciente de que estar viva é uma dádiva, venho através da ação da ABMGEO, no mês setembro amarelo, trazer a importância da conscientização da prevenção ao suicídio.


Encontrei na escrita um refúgio para minha dor e gostaria de compartilhar algumas delas com vocês. Trago em minhas histórias, a angústia de quem passou e passa por isso e que definitivamente não é frescura e que é uma dor que chega a ser física, de tão real. Para quem nunca passou por isso e quer entender o que sentimos. E principalmente pra você que está passando. Aguente firme, a tempestade vai passar.


“O que fazer quando um problema não tem solução? Quando você tenta desesperadamente sair desse mar de desilusão? As angústias, mágoas e medos te afogam e puxam para um oceano de escuridão. Nada mais faz sentido, não existe saída nesse oceano infinito. A essa altura, não tem mais para onde ir. Durante um tempo você se debate desesperadamente... já exausta, então, só aceita que esse é o seu fim.”


“Estou embriagada pela dor. Sinto o torpor da tristeza de minha alma. Meu corpo sente o ardor, sente a invalidez de quem parece não poder fazer nada. As lágrimas jorram como uma fonte da juventude, salgada e pura. A mente atordoada, a ponto de nem conseguir pensar. A angústia já fez morada. Hoje converso e troco sorrisos com o breu do meu coração. Me permito abraçar a escuridão, pois só assim conseguirei vê a luz que há em meu coração”.


“Transformo minha dor em poesia, onde me leio e releio. Tentando entender minha angústia sem fim, no intuito de não achar respostas, e sim, novas perguntas”.


Quando se pensa em suicídio, a pessoa quer matar a dor que sente e não tirar sua própria vida em si. Se conhece alguém que tem passado por isso, não julgue, dê seu ombro amigo, ouça sem acusar, sem procurar soluções. A pessoa sabe o que tem que fazer, porém não consegue. Tente mostrar que a vida tem muitas coisas boas para oferecer, coisas que o dinheiro não pode comprar, ofereça tempo de qualidade. Ofereça um abraço, um pôr-do-sol, a sua comida favorita e quem sabe novos sabores. Toda experiência nova que eu tenho, penso “ainda bem que sobrevivi para poder vivenciar isso aqui”.


Hoje, eu consigo ver beleza nas ondas do mar, o movimento das árvores, sou grata por ouvir um eu te amo e as risadas gostosas dos meus filhos, entre tantas outras coisas, sou grata por ter renascido, quando os médicos disseram que não tinham mais o que fazer por mim. Acredite, vale a pena viver, a vida é muito mais do que você está passando. Você consegue dar a volta por cima, não importa qual o problema.



Esse texto é de autoria de:


Tamiris Braga

Gestora ambiental pela Unigranrio (2009) e pedagoga pela Universidade Estácio de Sá (2018). Atua como gerente e pedagoga empresarial na companhia Peças Três Irmãos Nilopolitana, e Pós graduanda em Docência e Prática de Ensino em Ciências.

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1 Comment


Que relato importante e tocante, Tamiris! Que bom que você ficou, e ressignificou a dor nessa potência de vida! Parabéns 👏

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