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Eventos brancos e a representatividade de conveniência

Atualizado: 14 de dez. de 2021



Neste texto aqui, falamos sobre o pacto narcísico da branquitude, termo cunhado por Cida Bento e que que implica na negação, no evitamento do problema com vistas a manter o privilégio branco.


Por ser um elemento estruturante da sociedade capitalista brasileira, muitas vezes, ações que têm o racismo como pano de fundo passam despercebidas pelas pessoas. Vários fatores interferem na abertura que as ciências oferecem a um pesquisador/a/e negro/a/e ou a uma pesquisa que discuta as demandas da população negra.


Nas geociências, esse apagamento não é diferente. Apesar da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), feita pelo IBGE, demonstrar que a proporção de não-brancos (55,8%) é superior a de brancos (44,2%) no Brasil, essa relação inverte-se quando o assunto é o acesso aos cursos de graduação e pós-graduação das geociências. Recentemente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os resultados da pesquisa “Desigualdades Sociais por Cor e Raça no Brasil”. O estudo mostra que, pela primeira vez, o número de estudantes negros no país superou os 50%. Em 2018, alunos pretos e pardos representavam 50,3% do total de matrículas em instituições de Ensino Superior públicas do país. Apesar dessa conquista, desigualdades ainda são identificáveis no universo acadêmico.


Segundo matéria publicada pelo Jornal da Unicamp, diferentes levantamentos realizados por veículos de imprensa mostram alguns dos avanços da política de cotas. Mostram, também, que o acesso ainda não é o mesmo em todas as áreas. Eles se baseiam nos dados do Censo da Educação Superior de 2016, edição que mostrou a distribuição de estudantes negros/as/es no país. Um comparativo entre os cursos mais procurados mostram que as graduações que mais incluem alunos/as/es pretos/as/es são Serviço Social, Licenciaturas em Letras e em Química, Recursos Humanos e Enfermagem. Já os que contavam com o número menor de pretos e pardos eram Medicina, Medicina Veterinária, Engenharia Química, Design e Publicidade e Propaganda. Dos 50 cursos considerados pelo levantamento do jornal Nexo, nenhuma engenharia tinha mais de 50% de alunos/as/es pretos/as/es.


Fato que demonstra como a intersecção entre raça e classe segrega socioespacialmente e discursivamente quem vai ocupar determinados lugares (materiais e simbólicos), e quem não vai.


Quem tem direito à fala em espaços de centralidade?